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Fonte: Cibele Bastos

Você sabe o que é avaliado em um processo seletivo? Acompanhar as mudanças do universo profissional, sobretudo no pós-pandemia, é crucial para manter a empregabilidade

De março de 2020 para cá, o mundo mudou drasticamente. Fomos surpreendidos por uma pandemia e os reflexos da crise sanitária têm nos impactado de diversas maneiras. Tal cenário exige grande capacidade de adaptação, e no universo corporativo não é diferente. Diante disso, você sabe quais são os tipos de habilidades profissionais mais desejadas pelo mercado atualmente? 

A Catho, empresa brasileira especializada em classificados de empregos, realizou uma pesquisa com 500 empresas nacionais para descobrir quais são as 7 competências profissionais mais valorizadas pelas organizações daqui para frente — a lista é reflexo, por exemplo, do isolamento social e da necessidade de trabalho remoto.

Trabalho em equipe72%
Produtividade68%
Flexibilidade67%
Resolução de problemas65%
Resiliência61%
Ética59%
Relacionamento Interpessoal55%
Fonte: Dados da Catho, publicados no Infomoney. Abril/2021.

Competências mais desejadas pelas empresas em 2021

Convidamos a professora e coordenadora de pós-graduação da FAE Business School, Cibele Bastos, para comentar cada uma das habilidades profissionais mais valorizadas e exigidas atualmente pelo mercado de trabalho. Além de nos dizer porque são importantes, a docente fala sobre como desenvolvê-las.

 

Professora Cibele Bastos - Professora e Coordenadora de Pós-Graduação da FAE Business School
Professora Cibele Bastos – Professora e Coordenadora de Pós-Graduação da FAE Business School

1. Trabalho em equipe

Mesmo com um grande processo de automação, no qual as pessoas estão sendo substituídas por máquinas, o trabalho em equipe continua sendo uma das competências mais importantes a serem desenvolvidas.

Por que o trabalho em equipe é importante?

Estimula a colaboração que pode se manifestar no dia a dia ao auxiliar e apoiar um colega, ao disponibilizar um recurso ou equipamento que otimize a rotina e ao compartilhar informações importantes que ajudem uma área ou projeto. Contribui com o “clima” do ambiente de trabalho e com a integração da equipe. Além disso, reforça tanto a busca por soluções que ampliem perspectivas frente aos problemas, quanto o desenvolvimento de processos criativos. Por fim e não menos importante, o networking gerado é fundamental para qualquer carreira.

O que é preciso para desenvolver o trabalho em equipe?

  • Respeito às diferenças, flexibilidade, administração de conflitos, negociação diária, capacidade de comunicação (no sentido de ouvir, ter empatia e se fazer entender), clareza ao transmitir uma mensagem — seja uma informação, ideia ou orientação sobre alguma tarefa —, mente aberta para novos conhecimentos, ideias e pessoas;
  • Participar de atividades em grupo como esportes, trabalhos voluntários e eventos culturais tanto externos quanto da própria instituição de ensino. O ambiente acadêmico é rico para treinar a habilidade de tomar decisões em grupo.

2. Produtividade

Fala da nossa capacidade de produção em relação a um período de tempo. Alta produtividade é conseguir produzir bastante (seja no trabalho ou na vida pessoal) dentro do menor tempo possível.

Por que a produtividade é importante?

Para as pessoas: porque possibilita qualidade de vida. Mais produtividade se traduz em conseguir tempo para o trabalho em equilíbrio com a rotina pessoal.

Para as empresas: porque  produtividade se traduz em lucratividade. Fazer mais com menos.

Como desenvolver a produtividade? 

  • Aumentar a concentração: pode ser feito com técnicas como mindfulness e atenção plena;
  • Saber dar limites: dizer “não” para muitas atividades que podem estar impedindo maior produtividade;
  • Melhorar a organização: tanto no trabalho quanto em casa;
  • Gerir o tempo: priorizar e diferenciar o que é urgente (apagar incêndios) do que é importante;
  • Reduzir o hábito do perfeccionismo: é imprescindível controlar a autocrítica exacerbada.

3. Flexibilidade

Atitude de ser maleável ao aceitar ideias diferentes e rever as próprias para facilitar a integração de normas e procedimentos da empresa. É a capacidade de acolher posicionamentos ou opiniões de outras pessoas como mais viáveis e adequados a uma determinada situação.

Por que a flexibilidade é importante?

A flexibilidade facilita o trabalho em equipe e a adequação à cultura organizacional, às normas e aos processos de trabalho. Ajuda na negociação e resolução de conflitos, facilita a comunicação e  contribui para um ambiente mais saudável. Pessoas rígidas criam obstáculos e confrontos que geram tensão.

Como desenvolver a flexibilidade?

Exercite a inteligência emocional e aprimore a capacidade de empatia. Para isso, é importante ter uma rede de relações com pares que sejam diferentes de você. Conheça pensamentos, formações, culturas, opiniões, religiões e condições sociais distintos dos seus e perceba como existem aspectos comuns a todos, inclusive a você. Essa atitude nos possibilita entender o outro e nos colocar no lugar dele. Para refletir, sugiro a música “Saiba”, da Adriana Calcanhoto.

4. Resolução de problemas

A competência para resolver problemas está relacionada à capacidade de empenhar conhecimentos e habilidades para sanar adversidades e lidar com desafios tendo um resultado final positivo. É saber analisar causas, ler contextos, diagnosticar uma situação que se manifesta como adversa ou para a qual não há resposta prévia, e propor soluções e ações que possibilitem sucesso.

Por que a resolução de problemas é importante?

Espera-se que o profissional seja um hábil “resolvedor” de problemas justamente por conta das transformações a que estamos sujeitos. Ela possibilita lidar com o imprevisível, contribuindo nos processos de lançar-se em desafios e de ter a confiança para vencê-los.

Como desenvolver a capacidade de resolver problemas?

Algumas atitudes podem ser exercitadas em diversos contextos, mesmo cotidianos, como fechar ou abrir uma gaveta emperrada. Assim, “ensinamos” ao nosso cérebro o caminho da competência que acaba sendo acionada quando necessária, dentro das empresas ou em outros contextos profissionais. Para tanto, procure:

  • Praticar a observação ativa e a capacidade de análise nas mais variadas situações;
  • Obter conhecimentos sobre a área ou o segmento em que está inserido o problema;
  • Ser capaz de pensar fora da caixa e manter a mente aberta para ter ideias inovadoras.

5. Resiliência

“Prima-irmã” da flexibilidade, mas pode ser entendida como um pouco mais ampla. A resiliência é a adaptação a processos de mudança. É conseguir lidar com adversidades, problemas e dificuldades, passando por eles sem perder o foco e o objetivo. Trata-se de conseguir voltar a um estado de firmeza e equilíbrio, de controle emocional.

Por que a resiliência é importante?

Porque estamos em um momento histórico de mudanças muito rápidas e disruptivas. São muitas e grandes transformações causando rupturas com padrões anteriores, não só de formas e processos de trabalho, mas também de mercado, negócios, sociedade e ambiente — estando a maioria deles atrelados ao desenvolvimento tecnológico. Tudo isso exige uma capacidade de adaptação e sobrevivência a situações adversas.

Os mais resilientes se adaptam e aprendem a viver bem com as alterações que as empresas implantam para sobreviver, seja no âmbito de produtos, serviços, processos automatizados, perfis de consumidores, novas estratégias ou inovações de maneira geral.

Como desenvolver resiliência?

Para uma pessoa desenvolver ou aumentar a resiliência, ela precisa, antes de mais nada, querer. Todos nós temos resiliência, mas em graus variados.

Alguns indivíduos se desestruturam com pequenas coisas, enquanto outros conseguem “dar a volta por cima” e se reestruturam rapidamente. Ao invés de manter os sentimentos ruins gerados por entraves, assumem o protagonismo e encaram a responsabilidade na busca por bons desfechos, tanto em âmbito profissional quanto pessoal — mesmo diante de problemas gerados pelo outro ou por fatores que fogem de seu controle imediato. Desenvolver ou aumentar a resiliência é uma decisão interna de cada um: buscar estar bem, sem projetar esta missão em ninguém e sem precisar que as coisas aconteçam exatamente como o esperado.

A seguir, dicas para fortalecer a capacidade de ser resiliente:

  • Tenha experiências positivas e busque nutrir-se com boas relações interpessoais, assim como ter amizades verdadeiras que sejam construtivas;
  • Aprecie as coisas simples do cotidiano e invista em leituras ou informações pertinentes;
  • Evite a alienação de não consumir nada além de redes sociais;
  • Busque apoio especializado se necessário, como fazer uma psicoterapia.

6. Ética

A competência da ética no contexto profissional fala de atitudes pautadas em valores que contribuam com uma vida saudável para si, para o outro e para o meio em que se está inserido (incluindo a empresa), nos seus vários contextos: físico, financeiro, espiritual e social.

Por que a ética é importante?

  • Gera relações de confiança;
  • Revela credibilidade;
  • Reforça a imagem de integridade.

Hoje, sabe-se que a imagem, seja da empresa ou de um integrante dela, é um capital intangível importante capaz de gerar retorno financeiro. Entre outros efeitos positivos, a ética impacta o mercado de trabalho, a atração e manutenção de bons clientes e a criação de oportunidades de negócios.

Como desenvolver a ética?

Para desenvolver e manter tal competência, é importante nutrir atitudes pautadas em valores como respeito, justiça, honestidade, responsabilidade, humildade e promoção de igualdade.

7. Relações Interpessoais

A competência das relações interpessoais é inerente a todas as anteriores, pois é nas relações interpessoais que as demais se revelam. Essa competência trata da capacidade de estabelecer vínculos eficazes com o outro, seja no contexto pessoal ou no profissional.

Por que as relações interpessoais são importantes?

Problemas sérios de relacionamento interpessoal entre pares ou chefias tornam o ambiente emocionalmente insalubre e tóxico, enquanto o bom relacionamento interpessoal tem impacto benéfico no ambiente profissional, no clima organizacional e, consequentemente, na produtividade. Quando nos sentimos seguros, produzimos mais e desperdiçamos menos. Também aumentam as chances de retenção de talentos.

É uma competência chave para qualquer profissional dentro de uma organização e para trabalhadores autônomos, mas é ainda mais  fundamental para o exercício da liderança. O líder é tido como modelo e gera mais impacto sobre o grau de satisfação, produtividade e engajamento de equipes.

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